Órgãos Sensoriais e sistema nervoso dos ácaros

             Os ácaros são providos de distintos órgãos sensoriais.  As setas, estruturas formadas pela epiderme, apresentam diferentes tipos e funções. A maioria das setas do idiossoma e dos apêndices de um ácaro apresenta função mecanorreceptora. Sua movimentação estimula um sensor na base da seta, que envia um estímulo ao sistema nervoso central. Entre as setas mecanorreceptoras, predominam as chamadas setas tácteis; outras correspondm às tricobótrios, que supostamente percebem o movimento do ar.

            Algumas setas presentes nos apêndices parecem ter função quimiorreceptora. Estas apresentam a parte central oca, onde se encontra o processo dendrítico de neurônios. Dois tipos distintos de setas então aqui envolvidos. O primeiro corresponde às setas conhecidas como eupatídios, setas que apresentam um orifício terminal e que supostamente estão ligadas à percepção de moléculas presentes no substrato. São encontradas principalmente no tarso dos palpos e do primeiro par de pernas. Corresponderiam à percepção do gosto.

            O segundo tipo de seta supostamente com função quimiorreceptora corresponde às setas conhecidas como solenídios, que apresentam um grande número de orifícios distribuídos por toda sua superfície, e que estão supostamente ligadas à percepção de moléculas dispersas no ar. Estas são encontradas principalmente na superfície dorsal do tarso e, em alguns grupos, também do gênu e tíbia do primeiro par de pernas. Corresponderiam ao sentido do olfato.

            Estruturas fotossensitivas ocorrem em vários grupos de ácaros;  estas são representadas pro ocelos, que consistem basicamente de uma lente cuticular, geralmente convexa, com uma unidade fotorreceptora subjacente, que corresponde à terminação do nervo óptico.

            Estruturas conhecidas como lirifissuras são sensores de pressão exercida na superfície de diferentes estruturas do ácaro. Podem ser encontradas nas quelíceras, no idiossoma ou nas pernas. Tem sido sugerido que essas estruturas estejam relacionadas a coordenação dos movimentos ambulatórios, percepção da gravidade e detecção de vibração do substrato ou do ar.

            O sistema nervoso dos ácaros corresponde basicamente a uma massa nervosa central (singânglio), de onde partem nervos para várias partes do corpo. O singânglio está localizado logo atrás do gnatossoma, sendo atravessado pelo esôfago, que o divide em um gânglio dorsal (supraesofageano) e outro ventral (subesofageano).

Sistema Digestivo

            O sistema digestivo dos ácaros ocupa a maior parte da cavidade do idiossoma. É dividido em intestino anterior, de origem ectodérmica, sendo forrado por cutícula quitinosa; intestino médio, de origem endodérmica, apresentando sempre um ventrículo, ao qual se liga um número variável de cecos; e intestino posterior, de origem ectodérmica, sendo forrado por cutícula quitinosa, e corresponde ao átrio anal que conecta o pós-colo ao ânus.

            Várias enzimas capazes de hidrolisar carboidratos têm sido encontradas em Tetranychidae, mas celulases e pectinase parecem estar ausentes. A presença de amilase, celulase e quitinase foi determinada no processo digestivo de Astigmata, enquanto que a presença de celulase, lípase, pectinase e protesase foi determinada no processo digestivo de Oribatida.

Sistema Respiratório

            A respiração dos ácaros pode dar-se principalmente pela superfície da parede externa do corpo o através de um sistema de traquéias. Nos ácaros terrestres, as traquéias geralmente se abrem ao exterior pelos estigmas, mas em alguns casos se abrem no átrio genital, como em alguns Bdellidae e nos Astigmatas Gohieria fusca (Oudemans).

Sistema Reprodutor

            Esse sistema apresenta o segundo maior volume no corpo dos ácaros.

Machos

            Um par de testículos ocorre na maioria dos grupos de Acari, mas a maioria dos Prostigmata apresenta um único testículo. Nos Ixodida, ocorre um par de testículos, que são parcialmente fundidos. Na maioria dos Mesostigmata, os testículos são totalmente fundidos. Em alguns Oribatida, observa-se apenas um testículo; em outros, o testículo é bilobado.

            Os machos dos Mesostigmata dos grupos Dermanyssina e Heterozerconina apresentam uma estrutura digitiforme, conhecida como espermadodáctilo, ligada por sua base ao dígito móvel ou fixo da quelícera. Já os machos dos Mesostigmata do grupo Parasitina apresentam uma estrutura semelhante, chamada espermatotrema, que se liga tanto por sua base quanto pro seu ápice ao dígito móvel da quelícera. Ambas as estruturas estão envolvidas no processo de transferência de esperma. A abertura genital desses machos localiza-se próxima à margem anterior do escudo esternogenital.

Fêmeas

            O ovário é uma estrutura ímpar em Mesostigmata, Ixodida, Prostigmata e Oribatida, mas dupla em Astigmata.

Estruturas para o armazenamento de esperma (receptáculo seminal ou espermateca) têm sido observadas nos ácaros.

            Nos Tetranychoidea, o receptáculo seminal corresponde a uma pequena estrutura sacular que se liga ao exterior através de um curto duto que se abre na região entre o oóporo e o ânus. Nos Astigmata, o receptáculo seminal liga-se ao exterior através de um duto, que termina em uma estrutura circular conhecida como bursa copulatrix, localizada na margem posterior do idiossoma.

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