Alguns Ácaros de Importância Econômica

Os ácaros descritos aqui são pertencentes a Ordem Prostigmata (Actinedida). 

  

Família Eriophyidae 

  Foto: Autor não identificado.

   . 

Diversas espécies desta família são pragas importantes de plantas. Podem ser encontradas tanto nas brotações como em folhas e frutos já formados. Alguns ácaros desta família são vetores importantes de vírus fitopatogênicos em outros países. As espécies desta família estão entre os menores ácaros conhecidos. Por isso, atenção especial deve ser dada a eles, principalmente no transporte de material de propagação vegetativa de um país a outro, para se evitar a introdução de novas pragas.

Quando atacam órgãos vegetais em formação, podem causar a deformação destes.

Quando os órgãos vegetais atacados já estão formados, causam alteração em sua cor, o que pode resultar na redução da fotossíntese e aumento da perda de água pela planta. Em geral, levam 7-10 dias para atingir o estágio adulto. Em seu desenvolvimento, passam pelas fases de ovo, larva, ninfa e adulto. Usualmente, cada fêmea põe algumas dezenas de ovos durante sua vida.

Alguns eriofiídeos que mais causam danos no Brasil são: ácaro da falsa ferrugem dos citros (Phyllocoptruta oleivora), microácaro do tomateiro (Aculops lycopersici), ácaro do chochamento do alho (Aceria tulipae), microácaro do coqueiro (Aceria guerreronis) e microácaro da superfície superior da folha da seringueira (Calacarus heveae).

 

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Descrição Morfológica: 

   

São ácaros muito pequenos, medindo cerca de 100-330 micrômetros.  

Corpo alongado e vermiforme.  

Possuem 2 pares de pernas, situadas anteriormente.  

Aberturas genitais transversais.  

Não possuem unhas.  

Empódio geralmente em formato de pluma.  

Quelíceras estileteformes (de 7 a 9 estiletes).  

O propodossoma é recoberto por um escudo liso ou ornamentado. Sem ocelos.  

Dimorfismo sexual muito pequeno; machos com escudo genital triangular, e fêmeas com escudo genital posteriormente arredondado. 

  

Família Tarsonemidae 

 Foto: Autor não identificado.

Descrição Morfológica: 

  

Ácaros pequenos, adulto medindo 0,1-0,3 mm de comprimento. 

Tegumento rígido e brilhante. 

Coloração branco, negro, amarelo. 

Apresenta uma redução nos segmentos do tarso. 

Ovo relativamente grande, correspondendo metade do volume do idiossoma da fêmea. 

Córion liso, estriado ou com tubérculos. 

Apresentam idiossoma com vestígios de segmentação, mais evidentes nos adultos. 

Segmentos basais das quelíceras fundidos entre si e com o hipostômio, formando uma estrutura geralmente de contorno oval ou arredondado em vista dorsal. 

Palpos diminutos. 

Apresenta dimorfismo sexual. 

Fêmea com idiossoma ovóide. 

Fêmea possui no 4° par de pernas uma seta comprida. 

Macho menor, com edeago em forma de estilete; pernas IV geralmente terminado por uma unha tarsal. 

  

Desenvolvimento e Reprodução: 

  

As fases de desenvolvimento são ovo, larva, “pupa” (fase ninfal, que não se alimenta) e adulto. 

O macho carrega a “pupa” da fêmea de um lado para outro, aguardando a passagem para a fase adulta. Depois do acasalamento a fêmea se dispersa. 

São haplo-diplóides, sendo machos produzidos por partenogênese arrenótoca e as fêmeas através de reprodução sexuada. Partenogênese telítoca também tem sido constatada nesses ácaros (NORTON et al., 1993). 

Dos ovos nascem as larvas, que mostram 3 pares de pernas. O ácaro passa por uma fase imóvel (pupa) antes de surgir o adulto. 

Período de desenvolvimento: 4 a 6 dias em altas temperaturas. 

Ovo: 2 a 3 dias – Larva: 1 a 3 dias – Pupa: 2 a 3 dias. 

Adulto oviposita: 20 a 50 ovos. 

  

Importância Econômica: 

  

O ácaro branco ataca um grande número de culturas no Brasil, podendo-se citar o algodão, batata, café, citros, feijão, mamão, maracujá, ornamentais, pimentão e soja. 

Este ácaro procura evitar a luz direta, confinando-se quase que inteiramente à superfície inferior das folhas, mostrando preferência pelas folhas novas das plantas (ponteiro das plantas). 

Os gêneros de maior importância que atacam plantas são: Polyphagotarsonemus, Steneotarsonemus, Tarsonemus e Phytonemus. 

Ácaro branco: Polyphagotarsonemus latus (Banks). 

  

  

Família Tenuipalpidae Imagem obtida no site: http://www.sel.barc.usda.gov/acari/index.html (Systematic Entomology Laboratory) 

  

Descrição Morfológica: 

Ácaros planos, achatados dorsoventralmente e de movimentos lentos. 

Possuem os dois sexos, machos e fêmeas, entretanto machos são raros. 

Palpos simples com 5 segmentos. 

Propodossoma com 3 pares de setas dorsais. 

Gnatossoma ligado ao idiossoma por uma membrana artrodial, permitindo movimentos de protração e retração. 

Segmentos basais das quelíceras fundidos entre si, formando uam estrutura móvel denominada estilóforo; dígito móvel transformado em estilete longo, recurvado na base e implantado no estilóforo, alojado em um sulco na face dorsal da base do gnatossoma, conhecida como rostro. 

Ovos vermelhos, para a maioria. 

Ovo elíptico-alongado, de cor alaranjada intensa. 

Hysterossoma possui de 1 a 3 pares de setas dorsocentrais, e de zero a 4 pares de dorsolaterais. 

Macho com opistossoma afilado e com edeago em forma de estilete alongado, sem muita variação entre distintas espécies. 

  

Desenvolvimento e Reprodução: 

Brevipalpus phoenicis (ácaro da leprose): Estes ácaros passam pelas fases de ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto. 

Machos são produzidos por “partenogênese arrenótoca”, e as fêmeas através de reprodução sexuada. Partenogênese telítoca também tem sido constatada nesses ácaros (NORTON et al., 1993). 

De acordo com Weeks et al., 2001, o ácaro Brevipalpus phoenicis possui uma bactéria endosimbiótica nas fêmeas, que é responsável pela femininização de indivíduos geneticamente machos. O aparecimento de machos seria decorrente da perda dessa bactéria pelas fêmeas, talvez por condições de estresse em longos cultivos em laboratório ou, experimentalmente, pela administração de antibiótico adequado. 

Coloca 9 a 40 ovos durante a vida, dependendo do substrato. 

O período de ovo a adulto é de aproximadamente 19,2 dias em frutos de laranja, a 25ºC.   (CHIAVEGATO, 1986). 

Os ovos são colocados em rugosidades dos frutos, das folhas, ou mesmo nos ramos, entre as exúvias (HARAMOTO, 1969; CHIAVEGATO, 1986), sendo que a 30°C a postura é de 1,87 ovos por dia. 

Importância Econômica: 

  

Esta espécie é encontrada sobre cerca de 80 gêneros de plantas (ex.: citros, café, Hibiscus, plantas daninhas). 

Conhecidos como ácaros da leprose devido aos sintomas encontrados em frutos, folhas e ramos, como clorose zonada. 

È considerado o vetor de um vírus que causa uma anomalia conhecida como mancha anular, pertencente ao grupo de Rhabdovirus (CHAGAS, 1988). 

Quanto aos prejuízos, sabe-se que as laranjas com manchas lepróticas perdem seu valor comercial e, nos pomares, os frutos caem prematuramente, reduzindo a produção. 

  

  

Família Tetranychidae 

  

Imagem obtida no site: http://www.sel.barc.usda.gov/acari/index.html (Systematic Entomology Laboratory) 

Descrição Morfológica: 

Ácaros globosos e grandes, as fêmeas medem aproximadamente 0,5 mm de comprimento. 

Coloração variada: Rajados, Verdes, Amarelos e Vermelhos. 

Produzem teias. 

Desprovidos de escudos. 

Possuem estriações e manchas oculares (ocelos). 

Peritrema localizado na parte anterior do propodossoma. 

Os tarsos I e II geralmente possuem setas dúplices na perna 1 e 2. 

Palpo com 5 segmentos e processo unha-dedão. 

Fêmea adulta com idiossoma sacular, com 0,4 a 0,5 mm de comprimento. 

Genitália da fêmea é rugosa. 

Os ovos são esféricos, medindo cerca de 0,14 mm de diâmetro. 

Macho menor e com opistossoma afilado. 

Macho com edeago, que por ser esclerotizado e de forma variável entre distintas espécies, é de extrema importância para o taxonomista na identificação destes ácaros. 

As quelíceras passaram por transformações em que os dígitos móveis destas estruturas transformaram-se em um par de estiletes alongados. O estilete perfura inúmeras vezes o tecido foliar, liberando o conteúdo celular ou citoplasma, que serve de alimento para este ácaro. 

Desenvolvimento e Reprodução: 

  

O período de incubação é de aproximadamente 4 dias a 23ºC. 

Durante o desenvolvimento, os tetraniquídeos passam pelas fases de ovo, larva (3 pares de pernas), protoninfa, deutoninfa e adulto. No início de cada instar, nos estágios de ninfa a adulto, ocorre um período em que o ácaro permanece na forma “inativa”. Essas “fases inativas” são chamadas de protocrisálida, deutocrisálida e teliocrisálida (JEPPSON; KEIFER; BAKER, 1975). 

O período de desenvolvimento de ovo a adulto varia de 5 a 50 dias (dependendo da temperatura), sendo de aproximadamente 6,2 dias a 29,4ºC. Cada fêmea coloca em média 40 ovos (podendo chegar a 140 ovos) durante a sua vida. 

Possuem machos e fêmeas. 

São haplo-diplóides, os machos sendo produzidos por partenogênese arrenótoca e as fêmeas através de reprodução sexuada. Algumas espécies apresentam partenogênese telítoca (NORTON et al., 1993). 

Ovos não fecundados machos (haplóides). 

Ovos fecundados dão origem a fêmeas (diplóides). 

Fêmeas diplóides (2n). 

Machos haplóides (n). 

Para Tetranychus urticae n = 3. 

Importância Econômica: 

O ácaro rajado é considerado um dos ácaros de maior importância econômica em todo o mundo e pode causar consideráveis prejuízos em diversas culturas no Brasil, incluindo algodão, berinjela, feijão, maçã, morango, pêssego, pimentão, soja, tomate, ornamentais, etc. 

O ácaro rajado, Tetranychus urticae é considerado uma das pragas mais importantes do morangueiro. 

 

Altas infestações (> 50 ácaros/folíolo) podem causar descoloração de folhas, perda da capacidade fotossintética e eventualmente a morte das folhas. 

Outros Tetraniquídeos: 

Ácaro mexicano: Tetranychus mexicanus (McGregor). Praga de várias plantas frutíferas (citros). 

Ácaro do “tanajoá” da mandioca: Mononychellus tanajoa (Bondar). Praga de mandioca, comum no nordeste brasileiro. 

Ácaro vermelho do cafeeiro: Oligonychus ilicis (McGregor). Praga de cafeeiro no Brasil. 

Ácaro vermelho europeu: Panonychus ulmi (Koch 1836). Praga de macieiras. 

Referências Bibliográficas: 

  

BRUSCA, R.C.; BRUSCA, G.J. Invertebrates. Segunda edição. Sunderland, Sinauer Associates, Inc., 936 p, 2002. 

CHAGAS, C.M. Viroses, ou doenças semelhantes transmitidas por ácaros tenuipalpídeos: mancha anular do cafeeiro e leprose dos citros. Fitopatologia Brasileira, v. 13, p. 92, 1988. 

CHIAVEGATO, L.G. Biologia do ácaro Brevipalpus phoenicis em citros. Pesq. Agropecuária Brasileira. Brasília, v. 21(8), p. 813-6, 1986. 

FLECHTMANN, C.H.W. Ácaros de importância agrícola. São Paulo, Livraria Nobel, 1979, 189p. 

HARAMOTO, F.H. Biology and control of Brevipalpus phoenicis. Honolulu, Hawaii Agric. Exp. Sta., 1969. 63p. (Tech Bull.no 68). 

JEPPSON, L.R.; KEIFER, H.H.; BAKER, E.W. Mites Injurious to Economic Plants. University of California, 1975, 614p. The Tetranychidae Donnadieu, p.103. 

LINDQUIST, E.E. The World genera of tarsonemidae (Acari: Heterostigmata): a morphological, phylogenetic, and systematic revision, with a reclassification of family-group taxa in the Heterostigmata. Memoirs of the Entomological Society of Canada. v. 136, 1986. 

MORAES, G.J. de; FLECHTMANN, C.H.W. Manual de Acarologia. Acarologia Básica e Ácaros de Plantas Cultivadas no Brasil. Ribeirão Preto: Holos Editora, 2008, 308p. 

NORTON, R.A.; KETHLEY, J.B.; JOHNSTON D.E.; OCONNOR, B.M. Phylogenetic perspectives on genetic systems and reproductive modes of mites. In: WRENSCH, D.L.; EBBERT, M.A. (orgs.). Evolution and diversity of sex ratio in insects and mites. Chapman & Hall Publications, N. Iorque, p. 8-99, 1993. 

WEEKS, A.R.; MAREK, F.; BREEUWER, J.A.J. A mite species that consists entirely of haploid females. Science. v.292, pp. 2479-2482, 2001. 

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7 respostas para Alguns Ácaros de Importância Econômica

  1. norliza disse:

    olá estava fazendo algumas pesquisas para estudo pois acabei de entrar no mestrado e vou trabalhar com o acaro predador Neoseilus californicus tendo como presa o T. urticae e achei muito legal seu blog parabéns pela iniciativa pois e uma outra alternativa de manter contado com alguém da área.
    até outro contato
    Norliza Lins.

  2. Nadia disse:

    Olá Que bacana sua iniciativa! Me ajudou muito e tenho certeza que muitos se beneficiarão. Parabéns

    Até a próxima
    Nádia Parédio

  3. José Manoel Gobbi de Oliveira disse:

    Bom dia Roberto !!!
    Obrigado
    Parabéns
    Desejos de continuidade, prosperidade e sucessos

    Abraços
    GOBBI

  4. Geraldo Papa disse:

    Estou fazendo um seminário a respeito de ácaro de importância agrícola e o seu trabalho me foi muito útil. Parabéns.

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