Tetranychus urticae (Prostigmata) – Fitófago

Aqui você vai encontrar fotos e vídeos sobre o ácaro Tetranychus urticae, também conhecido por Ácaro Rajado e Spider Mite.

Sobre o Ácaro:

Esse ácaro ataca também várias outras culturas, podendo-se citar algodão, berinjela, feijão, maçã, pêssego, pimentão, soja, tomate, etc. Todas as fases de desenvolvimento do ácaro-rajado apresentam coloração amarelo-esverdeada. As fêmeas são grandes, medindo cerca de 0,5 mm de comprimento e freqüentemente apresentam dois pares de manchas escuras no dorso. Este ácaro forma colônias numerosas na face inferior das folhas, recobertas com apreciável quantidade de teia. As folhas atacadas por este ácaro mostram manchas branco-prateadas na face inferior e certa quantidade de teia; pela face superior aparecem áreas inicialmente cloróticas, que passam a bronzeadas; as folhas secam e caem, com conseqüente queda na produção (FLECHTMANN, 1979).

Os ovos do ácaro-rajado são esféricos e amarelados e são postos entre os fios de teia. O período de desenvolvimento de ovo a adulto varia de5 a50 dias (dependendo da temperatura), sendo de aproximadamente 6,2 dias a 29,4ºC. Cada fêmea coloca em média 40 ovos (podendo chegar a 140 ovos) durante a sua vida. Esta espécie ataca as folhas desenvolvidas do morangueiro, principalmente durante a época de produção (FLECHTMANN, 1979; MORAES; FLECHTMANN, 2008).

Durante o desenvolvimento, os ácaros tetraniquídeos passam pelas fases de ovo, larva, protoninfa, deutoninfa e adulto. No início de cada instar, nos estágios de ninfa a adulto, ocorre um período em que o ácaro permanece na forma “inativa”. Essas “fases inativas” são chamadas de protocrisálida, deutocrisálida e teliocrisálida (JEPPSON; KEIFER; BAKER, 1975).

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Figura 1: Machos de Tetranychus urticae disputando fêmeas no estágio de deutoquiescência.

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Figura 2: Sim! É possível vê-los a olho nú.

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Figura 3: Presentear sua namorada com as flores assim?? Não né!

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Figura 4: São tantos ácaros que já estão se dispersando. Detalhe da teia. Também são conhecidos por Spider Mites.

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Figura 5: Rosas Infestadas.

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Figura 6: Rosa Infestada.

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Competição de dois machos de T. urticae por uma fêmea.

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Vários Ácaros.

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Controle Químico:

O reduzido número de produtos eficientes contra este ácaro torna o seu controle bastante difícil. No caso de morangueiro, a utilização de acaricidas deve ser criteriosa, para que a qualidade do produto e a segurança do consumidor e do aplicador sejam garantidas. Observações no campo têm mostrado que o controle é mais eficaz quando a aplicação do produto é feita através de pulverizadores motorizados do que com equipamentos manuais, provavelmente devido à maior penetração do produto na região da planta onde os ácaros se encontram (FADINI; ALVARENGA, 1999).

Mesmo quando aplicações regulares de acaricidas são realizadas, existem muitos casos em que o controle deste ácaro mostra-se ineficiente. Uma das razões desta ineficiência pode estar associada ao desenvolvimento de resistência do ácaro aos acaricidas empregados na cultura (SATO et al., 1994).

O desenvolvimento de resistência em insetos e ácaros tem sido um dos maiores problemas no controle de pragas, dificultando bastante a recomendação de defensivos agrícolas aos agricultores. A resistência de T. urticae a pesticidas tem sido documentada em diversos países para diferentes compostos tais como organofosforados (SATO et al., 1994), dicofol (FERGUSSON-KOLMES; SCOTT; DENNEHY, 1991), organoestânicos (FLEXNER; WESTIGARD; CROFT, 1988), hexythiazox (HERRON; ROPHAIL, 1993), clofentezine (HERRON; EDGE; ROPHAIL, 1993), fenpyroximate (STUMPF; NAUEN, 2001; SATO et al., 2004) e abamectin (BEERS; RIEDL; DUNLEY, 1998). Trabalhos recentes desenvolvidos no Instituto Biológico têm indicado que diversas populações deste ácaro já se mostram resistentes a alguns acaricidas como dimetoato, abamectin, fenpyroximate e propargite (SATO et al., 2000; SATO et al., 2004; SATO et al., 2005).

A resistência pode ser definida como o desenvolvimento de uma habilidade em uma linhagem de um organismo de tolerar doses de tóxicos que seriam letais para a maioria da população normal (suscetível) da mesma espécie (OMS) (IRAC-BR, 2009).

——–> AGROQUÍMICOS (LINK)

Controle Biológico:

Com relação aos inimigos naturais de ácaros fitófagos, os ácaros predadores da família Phytoseiidae são os mais importantes (McMURTRY; HUFFAKER; Van de VRIE, 1970; MORAES, 1992). Em diversos países da Europa e na América do Norte, o controle de T. urticaeé freqüentemente realizado mediante liberações periódicas de ácaros predadores da família Phytoseiidae (HELLE; SABELIS, 1985).

O controle de ácaros-praga com uso de ácaros predadores da espécie N. californicus tem sido eficaz em macieira. Segundo Monteiro (2002a), produtores de maçã, no município de Fraiburgo em Santa Catarina, têm mantido criações de ácaros predadores N. californicus destinados ao controle do ácaro-vermelho Panonychus ulmi Kock. Monteiro (2006) realizou um estudo de comparação econômica entre o controle biológico e o químico nesses pomares, verificando menores custos em pomares onde se realizou a produção e liberação do ácaro predador. O custo foi 15,8% menor na área com controle biológico, quando comparado ao controle realizado unicamente com inseticidas e acaricidas. N. californicus mostrou-se adaptar bem às variações climáticas do Sul do Brasil, devido ao aparecimento natural nos anos posteriores às liberações, sugerindo que o predador sobrevive durante o inverno, migrando para ervas daninhas, quando houve redução de Panonychus ulmi nas folhas de macieira (MONTEIRO, 2002b).

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Figura 7: Typhlodromalus limonicus predando o ácaro rajado.

———–> Veja mais sobre este ácaro predador (LINK)

O uso de ácaros tolerantes a agroquímicos foi relatado para o controle biológico de T. urticae em rosas cultivadas em casa de vegetação na Califórnia, USA. Uma linhagem do predador Metaseiulus occidentalis (Nesbitt) apresentou um bom potencial de controle do ácaro-praga por ser resistente a vários organofosforados e carbamatos, e pela sua capacidade de controle em baixas densidades da praga, durante longos períodos (HELLE; SABELLIS,1985).

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Figura 8: Neoseiulus californicus predando o ácaro rajado.

———–> Veja mais sobre este ácaro predador (LINK)

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Figura 9: Phytoseiulus macropilis predando o ácaro rajado.

 

———–> Veja mais sobre este ácaro predador (LINK)

O uso de N. californicus pode contribuir para o manejo da resistência do ácaro T. urticae, reduzindo a população da praga em longos períodos após a aplicação de acaricidas, resultando numa diminuição de tratamentos com acaricidas e redução da pressão de seleção atrasando o desenvolvimento da resistência (SATO et al., 2007b).

Outra possibilidade de controle biológico do ácaro-rajado é através do uso de fungos entomopatogênicos, que em alguns casos mostram-se bastante promissores. Alguns fungos são eficazes para o controle de T. urticae, podendo-se citar Beauveria bassiana, Lecanicillium lecanii, L. muscarium, Hirsutella thompsonii, alguns Entomophthorales, entre outros.

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